Jessica, há uma última coisa e hesitei em lhe falar porque tinha um medo supersticioso de que contar possa fazer com que não aconteça (eu sei bobagem) e também porque acabei de discorrer sobre não esperar e isso pode fazer você esperar mais do que jamais esperou antes. Mas, eu lhe direi, caso você precise de algo, depois.
O verão passado eu estava na sala de espera de kendric quando de repente me ví num corredor escuro, numa casa que não conheço. Eu estava mais ou menos emaranhado numa penca de galochas, e havia cheiro de chuva. No fim do hall, dava para ver luz no contorno da porta então fui muito devagar e muito em silêncio até a porta e olhei para dentro. A sala era branca muito ensolarada com o sol da manhã. Na janela, de costas para mim, havia uma mulher sentada, vestida com um suéter cor de coral, e com uma cabeleira branca que lhe caia nas costas até embaixo.Tinha uma xícara de chá ao lado, numa mesa. Devo ter feito um pequeno ruído, ou ela me sentiu atrás dela...Virou-se e me viu, e eu a ví, e era você, Jessica, essa era você velha, no futuro. Foi gostoso, Jessica, nem dá para dizer quanto, vir como se da morte para abraça-la e ver os anos todos presentes em seu rosto...Vamos nos ver de novo, Jessica. Até então, viva, plenamente presente no mundo, que é muito lindo.
Está escuro, agora e estou muito cansado. Amo você, sempre.
O tempo não é nada.
Um comentário:
Um filme me ensinou que: A noite é mais escura, pouco antes do amanhecer; Talvez isso ajude, ou não...
A esperança nunca morre!
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