terça-feira, 1 de julho de 2008

Sempre pela primeira vez

E de repente fui convocado para cuidar daquela coisa simplista e gigante do mundo!
tudo me soava como um grande prasente, a tarefa de escrever com letras e instintos sobre arte de alguem...
reza a lenda que a menina andava pela beira da praia recolhendo espelhos partidos, conchas amarelas e estrelas de cinco pontas.Chamava-se Ana, a menina de cândido semblante. As ondas induziam cavalos-marinhos a fazerem cócegas nos seus pés. A maré mudava de acordo com o relógio biológico dela. Corria a boca pequena que a paixão do Mar por Ana sincronizava o ritmo e o som das águas.Era realmente um atrevimento, um despautério aquele caso de amor. Ninguem concordava ou achava possível que aquilo pudesse ter um final feliz.Eis que, certa vez,uma Ana decidida subira até o ponto mais alto da Ilha. Estava resolvida.De cima da pedra saltou.Espalhou-se na imensidão que tanto a encantava. Conta a lenda que, deste dia em diante, o Mar nunca mais foi o mesmo.Suas ondas pareciam margear o olhar de Ana derramado. Suas aguas traziam o cheiro e o gosto do amor da menina: tudo nele tornara-se salgado.Inexplicavelmente, o Mar carregava agora aluz sob a pele e sal sobre as aguas. O mesmo sal do amor da menina. O mesmo aluz do olhar outrora derramado.

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